Histórico do Hotel d’Aubusson Paris

O Hotel d’Aubusson chamava-se, no século XVII, Hotel de Mouy e fora dado à Madame Anne BAUDOIN, após ter pertencido ao procurador de GALLEBOURG e à sua filha, a Mademoiselle de GALLEBOURG.
Mais tarde, em 1787, o hotel fora habitado por ROULAND, professor de física, inventor de um pirômetro e demonstrador de uma máquina elétrica de tafetás.

No século XIX, encontramos os vestígios do Hotel d’Aubusson na rua Dauphine, número 39. Logo após terem recebido os seus diplomas, um grupo de estudantes de Sainte Barbe instalou-se no local, provocando algazarras noturnas que acabaram durando meses. Por esta razão, o proprietário do local aproveitara, então, as férias para “fazer a mudança” dos seus locatários. “Eu vos alugo os meus quartos por trinta francos, diz ele a outros estudantes, mas somente se vocês dormirem fora daqui!”

Simone de Beauvoir também residira no hotel no final de 1942 - início de 1943.

O Café Laurent: Cenáculo literário no século XVIII

Inaugurado em 1690 por François LAURENT, o Café Laurent fora um ponto alto da vida literária e artística, onde filósofos e escritores da Enciclopédia adoravam se encontrar e prosear, saboreando a nova bebida da época: a “Água de Café”.

Fontenelle, Houdar de la Motte, Rousseau e Voltaire deram a este novo local a sua reputação intelectual graças a esta nova bebida. Montesquieu dizia : “No Café Laurent, o café é preparado de forma a dar a alma aos que o bebem”.

Ali também era possível saborear o chá da Índia, uma deliciosa limonada, lascas de chocolate e frutas cítricas, pois dizia-se, naquela época, que estas ajudavam a clarear a tez.

Maximilien de Robespierre, o «Incorruptível», consumia diariamente estas novas frutas.

Em 1946, este café passou a se chamar «Café Tabou», e tornou-se o ponto de encontro dos mais famosos Intelectuais do período pós-guerra, tais como Queneau, Mauriac, Camus, Sartre, que ali se encontravam à noite.

A famosa adega «Le Tabou»

Este local simboliza, mais do que qualquer outro, a história de Saint-Germain-des-Prés do período imediatamente pós-guerra. Tratava-se, no início, apenas de um simples bistrô popular de bairro, o qual obtivera, em 1945, um alvará de funcionamento para a noite toda, pois o Correio da Imprensa ocupava o imóvel vizinho e os seus operários trabalhavam 24 horas por dia.

A partir de 1946, Sartre, Camus, Simone de Beauvoir, Queneau ali começaram a se encontrar regularmente com outros escritores, intelectuais e demais pássaros noturnos. No ano seguinte, o então bistrô fora ampliado, utilizando o espaço do subsolo (o qual, hoje, é o salão de congressos, “a biblioteca dos antepassados”), tornando-se um dos pontos de encontro da juventude do bairro que vinha dançar ao som da orquestra de jazz de Claude Abadie, cujo trompetista era ninguém menos que Boris Vian.

Dentre os fregueses do local encontravam-se, também, Anne-Marie Cazalis e Juliette Gréco – que ali começara a sua carreira de cantora sob o duplo apadrinhamento de Queneau e de Sartre –, além do talentoso Vian, cuja personalidade multifacetada se impusera aos seus talentos de músico.

Exaltado por alguns como um dos locais primordiais da vida intelectual do bairro de Saint-Germain-des-Prés e ultrajado pela imprensa da época, a qual o considerava apenas como um antro de perdição, o Tabou tornara-se, rapidamente, vítima do seu próprio sucesso. Cada vez mais pessoas passaram a freqüentar o local e, a partir de 1948, o pequeno grupo de fundadores do clube emigrara para uma outra adega: o Clube Saint-Germain-des-Prés, situado na rua Saint-Benoît. Apesar desta numerosa e simbólica deserção, o Tabou continuou sendo muito freqüentado, não perdendo, portanto, a sua reputação de templo do jazz parisiense. A canção, quanto a ela, encontrara refúgio na Rose Rouge, situada a alguns passos de lá e inaugurada por Niko Papatakis. Esta adega passou a receber, mais tarde, diversas celebridades como Martine Carol e Marcel Mouloudji. Brigitte Bardot ali dançara por noites e noites a fio… Durante mais de 40 anos, Le Tabou fora o centro da vida noturna “Germanopratina” (do bairro de Saint-Germain-des-Prés).

A rua Dauphine…

A rua Dauphine fora criada em 1607 pelo rei Henrique IV, entre o rio Sena e a muralha de Philippe Auguste, nos jardins do convento dos Agostinhos. Os monges se opuseram à compra do seu terreno, mas Henrique IV lhes convencera, ameaçando-os bombardear o convento e abrir a rua com o auxílio de canhões.
Trata-se da primeira rua de Paris dotada de um alinhamento, ou seja, da primeira rua reta. Ela fora criada concomitantemente à Praça Dauphine e à Pont Neuf (Ponte Nova), a qual prolonga.

Em 1639, a rua Dauphine fora prolongada para além da muralha, até o cruzamento de Buci. Esta parte fora denominada rua Neuve Dauphine, ou ainda, Petite-rue Dauphine (rua Nova Dauphine ou Pequena rua Dauphine). A rua Dauphine fora considerada como uma das mais belas ruas de Paris, devido ao seu comprimento e à sua retidão. O rei Luís XIV continuara o loteamento do bairro com a construção da rua de Savoie, aberta em 1672, sobre o antigo hotel de mesmo nome.

Em 1763, os primeiros candeeiros públicos foram instalados na rua Dauphine pelo delegado geral de polícia Antoine de Sartine.

Entre os anos de 1792 e 1814, a rua passou a se chamar Rua de Thionville, antes de retomar o nome de rua Dauphine.

E também…

Picasso pintou «GUERNICA» no seu ateliê situado na Rua des Grands Augustins, a 50 m do hotel.
Na rua Mazet, número 5, situava-se, até o ano de 1906, o curioso Auberge du Cheval Blanc (albergue do Cavalo Branco), inaugurado em 1612.
Logo ao lado, encontrava-se, durante o segundo Império, o café-concerto das Folies - Dauphines, apelidado de « Le Beuglant » (o mugido), dando origem à denominação desde então adotada pelos cafés-concertos.
Ainda nesta rua, também encontrava-se o famoso restaurante Magny, freqüentado por Georges Sand, Renan, Flaubert, Goncourt, Sainte-Beuve, onde Gavarni fundara os jantares da Sexta-feira.

Hoje…

Inteiramente redesenhada em 1997, a mansão particular, com a sua entrada principal de carvalho maciço do século XVII, por onde entravam e saíam as carruagens, preservam a alma e o charme de outrora. O hall de entrada, apesar de espaçoso, exala um espírito de convivialidade sem igual, graças ao calor das cores que o compõem, ao seu piso de pedra e à proximidade imediata do famoso “Café Laurent”.
O pátio interno, um verdadeiro jardim de inverno, ecoa os sussurros de uma discreta fonte.
Os salões, decorados com autênticas tapeçarias de Aubusson, são um verdadeiro convite ao sonho e ao relaxamento, animados pelo calor aconchegante do fogo que crepita na lareira, fabricada com pedras de Borgonha.

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